12 de março de 2019 09:30

Variedades de palmas trazem resistência à praga e dá segurança a agricultores do sertão


“Todas as parcerias que vierem não deixarei passar nenhuma, porque não é só conhecimento para mim, mas para todo mundo”, foi assim que o agricultor José Rivaldo dos Santos, do Assentamento Nova Canaã, em Canindé do São Francisco, manifestou sua satisfação com a parceria que mantém com a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) para o desenvolvimento, em sua propriedade localizada no localizado no Perímetro Irrigado Jacaré/Curituba, de uma Unidade Demonstrativa de Palma Forrageira Resistente à Cochinilha do Carmim.
O agricultor, que é um dos beneficiários do Programa Dom Hélder Câmara, reconhece a importância da variedade da Palma Orelha de Elefante Mexicano que plantou em sua Unidade Demonstrativa. “Essa palma é muito boa. Ela veio de outro estado para ver se era resistente aqui e acho que ela está se saindo muito bem. Para se ter uma idéia, nossa região teve uma ‘chuvazinha’ no mês de dezembro do ano passado e, de lá para cá, essa variedade não viu mais água em sua raiz desde esse dia, ou seja, já se vão mais de 60 dias sem água e ela (a palma) está desse jeito que você está vendo”, observou José Rivaldo, acrescentando que realmente a variedade é resistente à Cochonilha do Carmim.

Todas as qualidades relatadas pelo agricultor José Rivaldo foram verificadas quando da realização da parte prática do Seminário sobre Palma Forrageira, que acontece nos 26 e 27 deste mês, em Canindé do São Francisco e Nossa Senhora da Glória. O evento contou com a visita técnica do Pesquisador do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA/PE), Djalma Cordeiro, às propriedades dos agricultores José Rivaldo dos Santos, Jonas Barros e Júlio César, no Perímetro Irrigado Jacaré-Curituba, em Canindé do São Francisco, onde lá foram plantadas diferentes variedades de palma, a Miúda e a Orelha de Elefante Mexicano, ambas resistentes à praga Cochonilha do Carmim.
“Estamos discutindo juntamente com os produtores e os técnicos sobre as variedades, o meio ambiente, a adubação e o manejo da palma, bem como saber o que eles estão achando sobre essas variedades plantadas aqui, que são a Orelha de Elefante Mexicano e a Miúda”, disse Djalma Cordeiro, Pesquisador do IPA.
Segundo ele, o processo tem que ser analisado com um todo diante das particularidades de cada região. “Em que pese ser também sertão tanto em Pernambuco quanto em Sergipe, existem condições diferentes em cada região. Por isso, a coisa tem que analisada como um todo, levando-se em consideração a questão de fisiologia, adubação, manejo e as condições climáticas daqui do alto sertão sergipano”, justificou o pesquisador.
Já na tarde de ontem (26), o pesquisador participou de uma mesa redonda com professores e alunos dos cursos de zootecnia e agroindústria da UFS/Sertão, onde foram abordados assuntos relacionados com as variedades pesquisadas pelo IPA, as alternativas de palmas resistentes à cochonilha do carmim e as possibilidades de parcerias em pesquisas em nível de propriedade com a Emdagro/IPA/UFS.
Os trabalhos foram abertos pelo Chefe do Escritório Regional da Emdagro em Nossa Senhora Glória, Ary Osvaldo Bomfim, na presença da Coordenadora de Agricultora da Emdagro, Izildinha Dantas, de técnicos da empresa de vários municípios, produtores e Secretários Municipais de Agricultura, tanto do Estado de Sergipe quanto da Bahia.

Mas as discussões não param por aí, ao longo do dia hoje (27), no auditório do Campus da UFS, em Nossa Senhora da Glória, acontece a palestra sobre a importância da diversificação das variedades de palma para o enfrentamento das pragas Escama e Cochinilha do Carmim.
“A parceria teve início após a incidência de uma praga que tivemos aqui, a Cochonilha do Carmim, que devastou o palmal do seu José Rivaldo. Daí, nós trouxemos a variedade da palma Orelha de Elefante Mexicano do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) para fazermos esse experimento e verificarmos sua adaptação ao nosso clima semiárido do sertão sergipano e a sua resistência à essa praga”, disse o Chefe do Escritório Regional da Emdagro, Ary Bomfim.
Para o Diretor de Assistência Técnica e Extensão Rural da Emdagro, Esmeraldo Leal, o seminário apresenta novas tecnologias aos agricultores voltadas para a cultura da palma. “Esse evento reforça cada vez mais o papel da Emdagro como uma empresa de assistência técnica, extensão rural e de pesquisa, pois, trouxe um pesquisador que é referência no Brasil para o sertão sergipano, que é um pólo de produção leiteiro, para falar de uma cultura que é extremamente importante para o semiárido. A Emdagro acerta mais uma vez ao dialogar com os produtores, porque não é um evento destinado apenas para técnicos, pois eles estão tendo acesso às novas tecnologias da cultura da palma, não de forma solta, mas de forma integrada a um pólo de desenvolvimento como é o caso da bacia leiteira”.

Pensando em todas as ações voltadas para a produção de palma resistente em Sergipe, o Presidente da Emdagro, Jefferson Feitoza de Carvalho, que esteve em Pernambuco na última semana, disse que o Governo do Estado de Sergipe e o Instituto Agronômico de Pernambuco firmaram parceria para a transferência de tecnologias, com o intuito de produzir na palma forrageira in vitro. “Essa parceria busca soluções para o semiárido sergipano através da viabilização das tecnologias utilizadas no IPA em nossa Bofábrica, em Sergipe, para que possamos produzir nossas próprias mudas de palma”, disse ele.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Last Updated on 12 de março de 2019 by carlos.mariz