20 de setembro de 2021 08:25

Caderneta Agroecológica auxilia agricultoras no registro da produção agrícola


Ferramenta metodológica revela a importância da contribuição da mulher do campo na renda familiar


A caderneta agroecológica é uma ferramenta metodológica que tem por objetivo dar maior visibilidade ao trabalho das mulheres do campo e valorizar os quintais produtivos através de registros de sua produção agrícola ou não agrícola – como é o caso da produção artesanal. Nesta semana, técnicos da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) promoveram uma roda de conversa com as trabalhadoras rurais do Assentamento Florestan Fernandes, do Município de Canindé de São Francisco, Alto Sertão sergipano, para apresentar a ferramenta e iniciar a implementação da metodologia na comunidade.

Importante instrumento político-pedagógico, criado em 2012 pelo Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata, as Cadernetas Agroecológicas demostram o valor do trabalho feito pelas mulheres do campo. Implantadas inicialmente em 12 comunidades rurais atendidas pelo Projeto Dom Távora em oito municípios sergipanos, elas demonstram a relevância da participação econômica das mulheres na renda mensal familiar e na segurança alimentar e nutricional das famílias. A metodologia utilizada pela assistência técnica do projeto mostrou-se capaz de revelar o impacto econômico monetário e não monetário produzido pelas agricultoras, que utilizam a Caderneta para anotar diariamente tudo que trocam, doam, consomem e vendem. “Ela é o processo de sistematização das anotações efetuadas pelas mulheres, pois é a partir dessa ação que serão demandadas ações articuladas que permitirão a formação de uma base mais sustentável de desenvolvimento no campo”, explicou a assessora do Programa de Organização e Desenvolvimento Social da Emdagro, Abeaci dos Santos.

Segundo ela, foi nessa perspectiva que a equipe da Emdagro realizou a roda de conversa e a visita aos quintais produtivos, a fim de conhecer o potencial em termos de produtos existentes, buscando formas de apoiar as agricultoras a partir de diversas conexões e ações demandadas no desenvolvimento da metodologia das cadernetas agroecológicas. “Esses quintais produtivos em geral estão sob os cuidados das mulheres que cultivam frutas, ervas finas, verduras e ainda criam pequenos animais, como aves para a produção de ovos; e cada agricultora faz o registro em sua caderneta de tudo o que consome, doa e vende, avaliando seu esforço como trabalhadora rural e a importância econômica do seu trabalho para a família, como fruto da exploração dos quintais produtivos que são entendidos como sistemas de produção de diversas espécies”, detalhou Abaeci.

Ainda na propriedade visitada, em Canindé, foi possível perceber que a produção artesanal é bastante significativa na comunidade, como a produção de cestaria, bordados e confecção, quando algumas peças produzidas possuem como matéria prima fibras das folhas de bananeiras e outras da região. “Além disso, tem sido muito comum, o beneficiamento da produção obtida nos quintais, e mesmo em propriedades maiores, em diferentes tipos de bolos, doces e sucos, demonstrando uma criatividade e visão econômica considerável, que com certeza vão potencializar os trabalhos orientados para as cadernetas agroecológicas”, afirmou Tabita Evangelista Reis de Araújo, também assessora do Programa de Organização e Desenvolvimento Social da Emdagro.

Também participaram da roda de conversa a gestora regional da Emdagro em Nossa Senhora da Glória, Rita Selene Quixadá Bezerra; a técnica extensionista da Emdagro em Monte Alegre, Maria das Graças Silva; de Poço Redondo, Janete Trindade Marques; de Canindé de São Francisco, Lucia Maria Andrade.

Sobre as Cadernetas
A iniciativa de implementação das Cadernetas Agroecológicas tem o incentivo e apoio do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e do Programa Semear Internacional, que têm levado com sucesso a metodologia a outros projetos no Nordeste, como Pró-Semiárido (Bahia), Paulo Freire (Ceará) e Viva o Semiárido (Piauí). Em Sergipe, foi estabelecida pelo Projeto Dom Távora, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (SEAGRI), em parceria com a Emdagro. O trabalho com as mulheres sergipanas começou em setembro de 2019, com apenas dois grupos, que depois se multiplicaram, chegando a 118 o número de agricultoras utilizando as cadernetas. Após um ano de monitoramento de 587 cadernetas agroecológicas das 118 mulheres participantes da experiência, a coordenação de Desenvolvimento de Capacidades do Projeto Dom Távora constatou que o valor médio da produção de cada agricultora chegou a R$ 431,00/mês, representando o quanto, aproximadamente, cada uma contribui economicamente com sua família, ao longo de um mês.

Last Updated on 20 de setembro de 2021 by carlos.mariz