29 de maio de 2019

CITRICULTURA | Municípios debatem soluções para o setor produtivo


Reunidos em Umbaúba, no I Seminário Estadual Sobre Citricultura, representantes dos 14 municípios do pólo citrícola sergipano (Arauá, Boquim, Cristinápolis, Estância, Indiaroba, Itabaianinha, Itaporanga, Lagarto, Pedrinhas, Riachão do Dantas, Salgado, Santa Luzia do Itanhy, Tomar do Geru e Umbaúba) discutiram soluções para questões que afetam o cultivo, como pragas, necessidade de revitalização dos pomares e propostas de crédito. Participaram agentes públicos das prefeituras municipais, pequenos e médios produtores, empresas de assistência técnica e pesquisa, e agentes financeiros.

Conforme o cenário atual da citricultura em Sergipe apresentado pelos expositores, apesar da queda na produção desde o final da década de 1990, a laranja continua sendo um dos principais cultivos agrícolas do estado, respondendo por 3,0% do nosso Produto Interno Bruto (PIB). O suco concentrado de laranja e derivados constituem os principais produtos de exportação (65,4%) de Sergipe, que se destaca como quinto maior produtor de laranja do Brasil (depois de SP, MG, PR e BA) e segundo do Nordeste. A importância social do cultivo é significativa. Cerca de 40 mil pessoas sobrevivem da citricultura em Sergipe, em cerca de 11 mil estabelecimentos agropecuários, em sua maioria, de base familiar (81%).

Um dos sinais de que a citricultura precisa de atenção, contudo, está na queda da produção, que saiu de 822.000 t em 2011 para 421.353 t em 2017. A produtividade, no mesmo período, declinou de 14,5 t por hectare para 11 t/ha. No seminário, o assessor estadual da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário (Emdagro), Walter Ferreira Ramos, fez um balanço histórico do crescimento e declínio do cultivo em Sergipe. Segundo ele, nem o crescimento nem a diminuição da produção estão associados a apenas um fator. 

“No auge da citricultura [décadas de 1980 e 1990], quando Sergipe chegou a ser o segundo produtor nacional de laranja, havia uma combinação de fatores, como assistência técnica, pesquisa, crédito rural e mercado, que contribuíram para o estado ser referência. Hoje, temos um contexto diferente: mercado de preço regulado internacionalmente; novos hábitos alimentares que diversificaram o consumo de frutas e sucos; o surgimento de novas pragas e doenças; e a fragilidade econômica dos produtores rurais”, explica Walter.

O diretor técnico da Emdagro, Esmeraldo Leal, reiterou a importância do seminário e da atuação conjunta para se encontrar caminhos para a citricultura. “O governo está atento e atuante sobre os problemas da citricultura. Só em assistência técnica rural, a Emdagro investiu R$ 40 mil em 2019, atendendo mais de 2.100 produtores nos 14 municípios da região”, destacou Esmeraldo, pontuando ainda outras diversas ações e programas realizados pela Seagri, com parceiros como a Seit, a Conab, e outros. 

Ainda segundo ele, a Emdagro realiza outras ações, como a organização de produtores em associações ou cooperativas; o apoio à comercialização e acesso aos programas da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). “Também realizamos, em parceria com a Secretaria de Inclusão e Trabalho (SEIT), o Programa Mão Amiga, que auxilia financeiramente o catador de laranja, que na entressafra praticamente fica sem trabalho. Na assistência técnica, estimulamos o produtor à diversificação do plantio com outras frutíferas (abacaxi, acerola, banana, cacau, açaí); auxiliamos a produção de material básico de citros (sementes e borbulhas) em ambiente protegido, tornando disponível para os viveiristas. Fazemos, ainda, o monitoramento e a fiscalização das fronteiras, para evitar introdução de pragas e doenças nocivas à citricultura”, relacionou Esmeraldo.

A importância da defesa vegetal na citricultura foi o tema abordado pelo representante da Superintendência Federal da Agricultura (SFA) em Sergipe, André Barreto Pereira. A palestra do representante do Governo Federal explicou para os produtores detalhes da legislação que regulamenta a produção e comercialização das mudas dentro de critérios técnicos e com certificação. Ainda segundo ele, a legislação atual não impede que o produtor produza sua própria muda apenas para consumo interno ou faça o plantio direto no solo. “A manutenção de um sistema de produção de mudas cítricas em ambiente protegido (viveiros telados) depende de nova regulamentação”, defendeu André Barreto.

Na avaliação do secretário municipal da Agricultura de Umbaúba, Edgar Cerqueira, foi importante a participação de todos os municípios da região e das instituições. “Organizamos o seminário com os próprios parceiros, que trouxeram suas sugestões para revitalização da nossa citricultura. Contamos com a experiência das instituições sergipanas”. Também o representante da secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), Hugo Carlos Coelho, considerou satisfatório o evento. “Nosso objetivo foi discutir soluções conjuntas para fortalecer este importante setor econômico. Acho que conseguimos o resultado esperado”, analisou.

Pesquisa e combate à mosca negra 

O pesquisador Marcelo da Costa Mendonça destacou as contribuições da Emdagro na pesquisa fitossanitária voltada para o controle de pragas e outros danos à citricultura. “Nosso principal problema hoje é a mosca negra. Temos realizado ações de controle e orientação técnica junto aos produtores”, disse o pesquisador, que destacou duas ações em andamento. “Em curto prazo, estamos desenvolvendo um tipo de nanobioinseticida preparada a partir do óleo essencial de laranja, com aplicação no controle de insetos na agricultura. Esse trabalho é realizado em parceria com a UFS e tem o apoio do BNB. Temos também a Unidade de Produção de Inimigos Naturais (UPIN), já com 600 m² de área construída, onde se investiu R$ 1.431.655,19, que está em andamento, sob a execução do SergipeTec”, explicou Marcelo.

Segundo diagnóstico feito pelo pesquisador Hélio Wilson de Carvalho, da Embrapa Tabuleiros Costeiros, nos pomares sergipanos, com poucas exceções, predomina o uso da combinação laranjeira pera e limoeiro cravo. “Cerca de 90% dos pomares sergipanos está fundamentado em apenas uma variedade de enxertia, deixando a lavoura vulnerável a pragas, doenças e outros efeitos que podem levar à perda da safra. É preciso que haja alternativas de lavouras”, argumenta Hélio. Neste sentido, a Embrapa realiza experimentos com foco na avaliação e validação de novas variedades de citros. Segundo ele, é a maior área de copas e porta-enxertos do Brasil com 237 variedades que já começam a ser adotadas por produtores do Sul Sergipano e Nordeste Baiano, como alternativas às opções tradicionais de limão, laranja, tangerina e outros.

“Como a base da citricultura sergipana é de pequeno produtor, ele sugere a organização de sistemas de produção de até 2 hectares, obedecendo as indicações técnicas da Embrapa de porta-enxerto, adubações, densidade e de plantio para tentar reerguer a citricultura, buscando uma produtividade acima de 25 t/ha”, completou o pesquisador da Embrapa. Ele considera que a baixa produtividade atual, de 11 t/ha, significa que o produtor não está usando tecnologia, ficando fora do mercado e reduzindo seu lucro. O chefe-geral da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Marcelo Fernandes, integrou a mesa de abertura, traçou um panorama das pesquisas da Embrapa como foco na citricultura e colocou a instituição à disposição dos agricultores para a realização de dia de campo nas unidades experimentais da Embrapa.

Acesso a mercado e crédito

O seminário contou, ainda, com palestra do representante do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Matheus Felizola, que apresentou alternativas de comercialização para a cultura da laranja. Gerentes do Banco do Estado de Sergipe e do Banco do Nordeste também participaram, e apresentaram linhas de financiamento específicas disponíveis para o setor agrícola. Tanto o gerente de área de crédito do Banese, Bruno Santiago, como o gerente do Banco do Nordeste, Ricardo Luiz Carvalho Osório, destacaram o benefício da Lei Federal 13.340, que tirou muitos produtores do endividamento e abriu novas possibilidades de operações de crédito.

Fonte: Ascom/Seagri

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