4 de abril de 2019

Emdagro e Prefeitura de Aquidabã implantam Projeto sobre os impactos do uso dos agrotóxicos


Tratar os impactos do uso dos agrotóxicos no meio rural como uma questão de saúde pública, essa tem sido a preocupação do Governo do Estado, através da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), ao lançar oficialmente, no último dia 04, em Aquidabã, o Projeto Saúde no Campo, que representa uma ação integrada entre a empresa e a prefeitura do município, através das Secretarias de Agricultura, Saúde, Educação e Meio Ambiente, numa somação de esforços visando sensibilizar produtores rurais e a população em geral sobre o uso dos agrotóxicos e os cuidados que devem ser tomados para evitar danos à saúde e ao meio ambiente.
A solenidade de lançamento ocorreu na Câmara Municipal de Aquidabã e contou com as presenças prefeito Mário Lucena e de seu secretariado e do presidente da Emdagro, Jefferson Feitoza de Carvalho, juntamente com sua equipe, o qual fez pronunciamento destacando a parceria entre o Governo do Estado e a prefeitura, num esforço conjunto de formar agentes multiplicadores que levem ao homem do campo os conhecimentos sobre o uso de agrotóxicos. “A gente vem aqui hoje, através de uma parceria forte entre a prefeitura e o Governo do Estado de Sergipe, representado pela Emdagro, para fazermos o lançamento oficial do projeto Saúde no Campo, visando capacitar seus agentes municipais sobre agrotóxicos, a fim de formarmos multiplicadores, que possam levar conhecimento do tema nas comunidades agrícolas do município”.
Jefferson ressaltou ainda que o município de Aquidabã foi a quinta cidade em que foi apresentado e implantado o projeto, demonstrando, assim, o compromisso do ente público municipal com qualidade de vida de seus cidadãos. “Depois dos municípios de Umbauba, Riachao do Dantas, Aquidaba e Graccho Cardoso, Aquidabã é o quinto município que está sendo implantado o projeto”, disse, informando que já existem tratativas com os municípios de Itabaianinha, Nossa Senhora da Glória e Canindé do São Francisco para futuras implantações.
“Aquidabã possui um prefeito jovem, de visão, com bons propósitos e, acima de tudo, extremamente preocupado com seu povo que, ao conhecer o Projeto Saúde no Campo, não hesitou em abraça-lo, mobilizando seus secretários municipais de agricultura, educação, saúde e meio ambiente, para oferecer aos seus agentes de saúde e endemias e de educação uma capacitação sobre agrotóxicos”, destacou Jefferson.
Para o prefeito Mário Lucena, a implantação do projeto no município foi uma iniciativa do secretário de agricultura que percebeu a necessidade de ser dar uma orientação àqueles profissionais que trabalham diretamente com a população, sobretudo, os agricultores. “É extremamente importante a participação das secretarias de Assistência Social, Educação, Agricultura, Meio Ambiente e Saúde em parceria com a Emdagro nessa ação integrada de conscientização do uso do agrotóxico, cujos conhecimentos adquiridos no dia de hoje servirão para que nossas equipes possam chegar ao público final, que é o homem do campo, que necessita ter esse conhecimento, e as secretarias”, disse.
Comprometidos com chamamento da Emdagro e prefeitura, Secretários municipais presentes no evento se posicionaram sobre a importância do projeto para o município, como foi o caso do Secretário de Agricultura, Alciberto Valença. Segundo ele, o projeto pretende estabelecer uma utilização consciente dos agrotóxicos. “Todos os dias a gente vê pessoas doentes por conta desses produtos, então, com essa primeira palestra sobre o tema, estaremos capacitando os multiplicadores nas pessoas dos agentes de saúde e endemias para, posteriormente, focarmos nas comunidades, onde conscientizaremos os agricultores, sobretudo, os aplicadores de agrotóxicos, sobre os perigos desses produtos”.
Para o Secretário de Saúde, Tony Maciel, o órgão buscará desenvolver metodologias para abordar o tema dos agrotóxicos junto aos agentes de saúde e endemias. “Todos os agentes de saúde trabalham por micro áreas fazendo trabalhos de orientação nas comunidades, onde iremos mobilizar os próprios agricultores para realizarmos palestras educativas, mostrando como proceder na hora de utilizar os agrotóxicos e, principalmente, a quem procurar caso precise. A partir daí, com integração com as secretarias de educação e agricultura montaremos estratégias para que a gente possa tentar introduzir nesse meio rural a prática de outros acessórios que diminuam o uso de agrotóxicos”, detalhou, acrescentando que, “se essa rede funcionar como se imagina será possível atingir a meta principal, que é a redução do uso de agrotóxicos em nosso município”.

Já para o Secretário Municipal de Educação, Jacson Crisóstomo, o plano estratégico da secretaria de educação será o de levar informações através de palestras e debates. “Pretendemos desenvolver um trabalho de conscientização crítica junto ao nosso alunado, no ambiente da sala de aula e envolvendo a família, o que é mais importante, onde muitos dos pais que, inclusive, já são alunos da própria Educação de Jovens e Adultos (EJA), tem buscado uma formação crítica a cerca da diminuição ou do uso irracional do agrotóxico”.
“Nós temos 23 escolas rurais e é um público muito grande, onde temos quase 3 mil alunos no campo e o nosso trabalho vai ser o de motivar, disseminar ideia e divulgar ao máximo possível essa informação, mostrando a importância desse convívio harmônico entre o campo e a cidade no que diz respeito aos alimentos”, frisou o Secretário.
Capacitação
Após o lançamento oficial do projeto, foi realizada uma palestra sobre os cuidados sobre o uso de agrotóxicos, onde a Coordenadora de Defesa Vegetal da Emdagro, Aparecida Andrade, expôs as principais características dos produtos, as consequências da falta de proteção, os excessos nas aplicações, o armazenamento e descarte das embalagens vazias e as principais doenças causadas pela exposição aos produtos.

Segundo a coordenadora, não é incomum encontrar agricultores manuseando os agrotóxicos sem o mínimo de proteção. “São irregularidades que vão desde o armazenamento inadequado dos produtos até a preparação da calda em riachos, desde a falta do uso do Equipamento de Proteção Individual (EPI), até o descarte de embalagens vazias no meio ambiente”, detalhou Aparecida, alertando que os impactos dos agrotóxicos devem ser encarados como caso de saúde pública.
Em sua avaliação, a Agente de Endemias da Secretaria de Saúde do Município, Crislaine Mendonça de Oliveira Mota, destacou a importância do treinamento. “O que levo de mais importante desse treinamento é a informação que deveremos passar aos agricultores, num trabalho de formiguinha com a comunidade sobre a prevenção de como é perigoso o mal uso de agrotóxicos. Será um trabalho importantíssimo para a saúde pública, não só com a classe rural, mas de todo mundo, porque o alimento levado para a mesa dos consumidores não pode oferecer tantos riscos à saúde assim”, ressaltou.